O quarto principal só tinha uma cama de casal e um guarda roupas de imbuia antigo fazia divisa com outro quarto com 2 camas de solteiro que poderiam servir possíveis visitas de filhas inesperadas em descansos mensais ocasionais, e ficavam os colchões de crina estirados com colchas brancas que ainda era do seu enxoval que ela havia trazido de Portugal, onde em outra cômoda lotada dessas iguarias, depois da oficina, muito mais coisas desapareceriam.
Naquela noite como de hábito, por volta de 21,00hs ela trancou a porta por dentro e se voltou para o quarto onde a menina já estava quentinha e depois do “Bença vó – Deus te abençoe”, fomos adormecer pra outro dia.
Por volta de 23,00hs aquele telefone que ficava à uns 5 metros de jornada, começou a incomodar.
A vó acordou a menina e pediu para que ela fosse em seu lugar.
Precaução...o piso era de cerâmica fria, haviam 2 portas entre os corredores e um degrau que dava acesso à oficina, e interruptores só havia no local.
Carregar vela acesa entre correntes de ventos, com idade avançada, dores em todos os ossos do corpo, pois continuava atendendo aos filhos durante os dias esquentando marmitas, lavando as louças, depois suas próprias roupas e atendendo a porta que de dia não parava a campainha e a minuciosidade dos consertos exigia tempo integral, seria uma fria.
E lá foi a menina....Alô?................................................................................
Alô?..............................ALÔ.................ALLLÔÔÔHHHHHH. Gancho.
- Quem era Dinha?
- Acho que foi engano vó...num responde!!!!
Lá vinha a Carmem Miranda com a marchinha de sucesso no momento histórico:
“Alô Alô, responde...
Responde com toda sinceridade...
Alô Alô responde...
Se gostas mesmo de mim de verdade.”
Mas antes o grande compositor Donga já havia feito sua homenagem à essa invenção de Grambel tendo entrado para as páginas da história fonográfica brasileira por ter sido a primeira gravação em disco de cera.
Tudo vinha pelo Rio de Janeiro, pois Donga era um jovem negro sambista que freqüentava a Casa da negra ex escrava alforriada Tia Ciata que protegia os músicos da outra parte da sociedade que desde aquele tempo segregava essa nata de sensibilidade onde até essa atualidade o samba vem sendo divulgado por outros mais consagrados de acordo com a popularidade e dizia assim:
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