Era tão gostoso, que a menina nunca mais esqueceu do cheiro fedorento que aquele gás venenoso daqueles lampiões exalava e só de lembrar na mente, imediatamente lá vêm aquele odor novamente, mesmo que o fato tenha acontecido há mais de 40 anos atrás sem ter havido nenhum outro contato com essa experiência nesse período de ausência. Coisas da ciência.
Maravilhoso ter tio paterno rico com carrão chevrolet importado e jipe último tipo ocupando ainda uma pequena parte do poder social em um cargo de presidente de honra de um clube de regatas durante 18 anos consecutivos, com duas sedes, sendo uma no campo e outra na cidade, e assim, todo sábado era religião:
Se deitar rezando ao pai com véu para que todo domingo não houvesse uma nuvem de chuva no céu, pois só assim os picnics com toalhas almiscaradas forrariam a grama aromatizada junto dos buritis, tamarindos que caiam em penca protegendo com sombras o caudaloso rio Atibaia em mais uma tarde de barcos, remos, cachoeiras, trampolins e muitos tupiniquins.
Crime ambiental? Propriedade Particular com intercessão de um trecho de rio estadual nacional? Apropriação Indébita.
E mais um domingo inesquecível...em meio a todo esse direito de lazer.
A futura sede do clube de campo ainda estava em planejamento e caminhava para o fatal desenvolvimento.
Logo na entrada ficavam os vestiários, seguidos por 3 imensas quadras de tênis com iluminação completa, campo de futebol, campo de bocha, o barracão dos barcos próprios dos associados, um restaurante, tudo cercado por vigorosas árvores onde as redes se engalfinhavam. A Mata Atlântica.
Assim que descíamos do carro que ficava embaixo de sombras de seringueiras gigantes, corríamos todos para o vestiário, e o pai voltava com calção, boné e chuteiras pro futebol depressa extravasar.
A menina com seu maiozinho fechado, touca de borracha na cabeça, disparava em corrida para no rio se refrescar.
ESPORTES, LAZER, DIVERSÃO, DESCONTRAÇÃO, DISCIPLINA E UNIÃO
Ainda não existiam as piscinas, e foi o presidente Zildo que daquela floresta aos poucos foi fazendo as festas e somente o rio de correnteza pesada fazia a sua parte, com uma cobertura e bancadas em uma das margens, onde alguns sentados, observavam a imersão naquelas águas marrons dos banhistas alvoroçados que se atiravam de um trampolim quando das festas carnavalescas de fantasias, apenas os homens em papel crepom de mulheres se vestiam, numa alegria contagiante fenomenal...e quando não havia Carnaval, os banhos no rio eram a atração principal.
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