E com todo aquele espaço a menina entre tombos e arranhões aprendeu de bicicleta masculina a se equilibrar.
Quando a futura rica noiva da cidade vinha com toda a tropa de 4 para aquela maravilhosa gente visitar, muito difícil para poder tanta história boa contar, mas era sempre antes do almoço que a jardineira naquele alvoroço deixava a família se embriagar.
Toda a alimentação era no fogo de lenha...pães, roscas, bolos, arroz branco com feijão de caldo grosso, galinha, porco, saladas, frutas, doces, carne de boi e peixe não tinha, mas a melhor hora do dia ficava para o milho que era ralado e virava pamonha e curau fresquinho...e não era de Piracicaba.
Havia afeto, carinho, amor, romantismo, respeito sem nenhuma idolatria, e a anfitriã Catarina não adormecia sem beijar os pés de uma imagem da virgem maria com seu terço todo dia.
Se compartilhava bens móveis e imóveis.
Se dividiam camas, moringas com água fresca de poço elétrico e quando já ia escurecendo, nos varandões já juntavam as cadeiras com bules de alumínio e café sempre quente, onde a música ecoava por todas aquelas vertentes.
Pai e filho se revezando no acordeon, a menina já começava os primeiros acordes num violão a entoar, onde também trocava cordas com o Mauro ou o Fernando, o seu Irardo atacava no bumbo, a dona Dirce aproveitava a chance e descarregava a voz aguda cantando sempre a mesma melodia de um trecho de ópera feito soprano e já abanava com o leque, a artista Terezinha cantava e alguns domésticos também se agrupavam....e lá vinha a modinha:
“Robaru o tarco,
Robaru o tarco,
Robaru o tarco do barraco do seu marco...”
E na manhã cedinho, a menina acompanhava a turma que até a cocheira das vacas ia com baldes na extração do leite morninho e a colheita dos ovos de tantas poedeiras trabalhadeiras. O futuro sogro se embrenhava pela terra com sua latinha catando minhocas, preparando as varinhas, colocando iscas em anzóis e cevava a lagoa com querelas de milho voltando sempre com alguns lambarizinhos que depois de fritinhos junto com uma cervejinha gelada, inebriava todos os cantos da saudade.
E as madames aristocratas...nem suas calcinhas ali lavavam e todo o serviço de camareiros, copeiros, cozinheiros, lavadeiras gerais que iam desde roupas de cama até as toalhas dos banheiros, passando por panelões de alumínio areado, entre frigideiras, assadeiras engorduradas até os pratos, copos talheres lavados, ficava a cargo da hospedeira Catarina.
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