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segunda-feira, 13 de junho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.6


Bastava agora atiçar o cão que a corrente o bambu derrubaria e a latição não parava. Não falhava uma...as roupas se esparramavam pelo chão de cimento empoado...a menina se mandava e do outro lado a cena se repetia.
Caramba...que curpa a menina tinha se o veinho da manutenção num pregava o varal direito, e quando o varal não despencava eram as roupas que não estavam com cada gancho correspondente?

O vô acordava assustado e caía de pau em cima do cão, e a mãe saia em disparada daquela cozinha e maiava o veinho que sempre falhava na tripla  missão. Coitado desse fiscal atrapalhado...como poderia dar conta naquele estado de debilidade física e mental, de um cão vigoroso, uma criança levada e um varal de roupas que se caíssem no chão, de novo praquele tanque a doméstica não queria não, sendo que para a menina, com a roupa não importava não. Era pura diversão....e a mãe da menina viveu 82 anos sem nunca ter engolido que era o vô que não olhava, que de um jeito ou de outro era a menina sim senhora, que com essa artilharia, tinha mesmo muito colaborado.

A DURA LIDA DOMÉSTICA DAQUELES DIAS...QUEM CONDENARIA? QUEM SE DEDICARIA VERDADEIRAMENTE EXECUTANDO COM PRAZER VERDADEIRO A TANTAS TAREFAS CASTIGANTES, REPETITIVAS, CANSATIVAS E INTERMINÁVEIS NESSES SERVIÇOS CONTÍNUOS SENDO EM NADA REMUNERADA, TENDO QUE SE CONTENTAR APENAS COM OS ELOGIOS E A GRATIDÃO DE TODA A PARENTADA?
QUEM NÃO SONHARIA MESMO E SE DEDICARIA DURANTE TODO O TEMPO QUE VIVO ESTIVESSE, EM POR LOGO A MÃO NAQUELA MONTANHA DE VERDINHA?
Ora bolas, que contestação mais vergonhosa....elementar novamente.
Aquele humano que jamais se casaria só no interessado futuro.
Por amor sim, e até com cabaninha?
Cândida, cloro, alvejantes, detergentes, amaciantes, pinho sol, máquinas de lavar roupas, secadoras, lavanderias, sabões em pó, ferros a vapor, enceradeiras, carpetes, sinteko?
Sabão em pedra de côco, querosene e creolina, pra tudo servia.

Uma vez por semana o piso da sala e quartos era encerado com “Parquetina” e o escovão de aço, quem ralava no chão era a mais velha, enquanto a caçulinha pegava carona no escorregão...uma diversão...até que um dia na correria do corredor onde ficava a cozinha, tendo de um lado uma pia e do outro o fogão, um azarão.

Na dedicação da refeição, uma frigideira de óleo fervendo e pela termodinâmica da fritura para o mármore, houve um grande esbarrão que desequilibrou a mão da cozinheira e untou as costas da menina arteira.
Foi uma zonzeira que passou tão rapidamente pois eram os tempos de antigamente...ninguém precisou acionar o SANDU nem corpo de bombeiro! Acidente doméstico era coisa corriqueira....
                                                             -6-


                                                        

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