ao lado direito depois de 2 casas, o verdureiro tinha um cãozinho chamado “Quinho” que deixou uma cicatriz eterna no lábio superior esquerdo da menina que adorava bichinhos num dia inesperado de carinhos;
na esquina de cima, o rico médico que tem nome de Rua Dr.Coriolano Roberto Alves, cuja esposa se incumbia de chamar a noiva Terezinha cada vez que o amor Geraldo se comunicava naquele telefone emprestado, nunca passando do minúsculo hall da entrada onde esse servidor público naquelas casas ficava;
na esquina debaixo, outro rico advogado separado, cujas portas nunca se abriram pra esses vizinhos indesejáveis, onde atualmente se instalou um Boteco fantasiado de “Coronel Mostarda” que já fechou as portas;
do lado esquerdo da casa, um terreno de 500m2 em 2 lotes que fez parte da herança daquela família, onde na atualidade é locado para o estacionamento da casa noturna acima citada e de outras que cercam a mesma quadra, sendo que naquela época, 2 irmãos e cunhados paternos Alfi e Tizó co habitavam em locupletação legal desfrutando do patrimônio da família unindo o útil ao agradável.
Se contentavam com o lote repartido do lado esquerdo com outros cômodos já alugados e compondo a esquina da quadra outro inquilino se abrigando num barracão fechado com moradia da família do Alfi marido da Lídia (do lar até hoje) com o filho Sidnei, a Sirvinha veio depois de outro temporão, que repartiam o único banheiro em lateral com todos os clientes de uma serralheria de sociedade com o irmão Tizó e o filho Tutu, que pagavam aluguel residencial em outra casa na mesma quadra com a Rua Sampainho 262, onde a esposa Dita, que além do lar, vendia bolos e doces caseiros na composição da renda familiar.
Dois tios, mais o único filho varão do tio com um primo da mãe de apelido Birde, funcionários sem registro por vizinhos de parede lateral esquerda, que possuía uma portinha de comunicação no murão de divisão territorial entre as casas para que também o irmão Iraldo e Durico pudessem pedir favores numa serralheria barulhenta, cuja fornalha ardia noite e dia em bigornas estonteantes, esmeril fagulhante, serras atordoantes, maçaricos, soldas;
aos fundos mais um ricaço médico de tradição com fama, Doutor Moscoso, outro muro baixo dividia o lado esquerdo cujos moradores naquele quintal também cultivavam frutas e hortaliças.
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Bão isso aqui não deu em nada....nenhum retorno!
A ARAPONGA E A BIGORNA
Estranha maneira a natureza encontrou para se comunicar com os homens, ajudando-os no cumprimento de seus deveres e missões. 1958. Casa modesta; 2 dormitórios que desembocavam numa sala pequena, o banheiro, com descarga de cordinha, uma banheira branca, um chuveiro elétrico. A casa ainda possuía um porão escuro mas que guardava, bolas pesadas de bocha, algumas quinquilharias e uma caixa cheia de moedas antigas de prata. Eu não entendia bem os motivos, mas sempre que podia, percorria aquele porão escuro e manipulava aquelas moedas. Um pequeno jardim, com um coqueiro e grades de ferro em pontas de lança. Seguindo outro corredor, havia uma grande mesa de madeira, onde fazíamos as refeições tendo ao lado oposto a cozinha com uma pia, um fogão e uma geladeira. Um dia, cumprindo a doce arte da infância, lembro-me que brincava de esconde esconde e ao correr pelo corredor, minha mãe estava com uma frigideira de óleo fervendo, passando do fogão para a pia, e nesse exato instante, ao me enroscar nas suas pernas, todo aquele óleo, se derramou nas minhas costas. Só me lembro do fato, não do estrago que ele deve ter causado. Um amplo quintal com pessegueiros, barracão nos fundos, onde havia uma enorme mesa de madeira com máquina de costura e todo um arsenal, pois meu pai ainda costurava como alfaiate durante à noite. Um rádio de ondas curtas, onde programas de calouros do César de Alencar e as preces de Alziro Zarur, nos entretia entre agulhas e linhas. O cachorro Bugre, os gatos. Havia paz e harmonia. À nossa direita D.Noca, com seu chato vira latas, possuia um pé de jaboticaba, o qual eu não resistia à tentação de quase sempre engedrar uma subida pela árvore de divisa, rodopiando por cima do muro e mesmo com os latidos da criaturinha, me deleitava com as doces frutinhas. Ao nosso lado esquerdo, dividíamos a família com meus tios paternos em uma casa que pertencia à minha avó Tereza. Nossa casa era própria. Meus tios moravam na casa de herança onde possuiam uma Serralheria. O dia inteirinho, menos aos Domingos, convivíamos com o barulho daquelas serras, máquinas de solda, e a bigorna. Para mim, o dia passava tão rápido e feliz, que só me lembrava daquele barulho, quando a Araponga cantava. Não sei até hoje, o que foi pior. Se era a bigorna que existia mas eu nem ouvia, ou se era a Araponga que existia e eu ouvia.
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