Postagens populares

sábado, 2 de julho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.16


Cooperativa tinha na antiga Caixa Econômica Federal de verdade e é indescritível a imensa euforia quando aquele caminhãozão encostava na nossa portaria...o enxoval enriquecia com lençóis, fronhas, colchas de linho puro branquinho, rendas, toalhas, as compotas, os secos e molhados, as bebidas...os descontos caiam em holerites...hipermercados?
E somente meio século depois é que a menina entendia porque toda noite e todo dia daqueles ela ouvia: Essa caixa é uma mãe...quanta galhardia.
Ah...num inzistia procon...nem pequenas causa...e o fornecedor num faiava.


E Colônia de Férias em Suarão.
Num terreno de talvez 2000m2, haviam 10 casas de alvenaria simples construídas em U, onde a portaria ficava em outra casa que abrigava o caseiro Raul e sua família de 4. Havia na frente um pátio com os brinquedos essenciais, gangorra, balanço, gira gira, escorregador, algumas árvores chapéu de praia. Sala, cozinha, 1 quarto e 1 banheiro, onde nos quartos 2 beliches de cimento faziam ligação com a cozinha de um fogão e uma geladeira antigos, panelas no armário e o resto agente fazia.

Cada vez que saíamos de Campinas para atravessar São Paulo, descer a serra para aquela Itanhaém, tínhamos naquela Pedro Taques uma única referência de desembarque: A Torre de uma igrejinha, o resto, era coragem.
O Pai da menina era um motorista perigoso, mas cauteloso.

Naquele tempo a família havia comprado o primeiro carro e era um fusquinha bege 58 importado com a primeira marcha seca, como denominam os colecionadores e mesmo já existindo as setas de indicação, o instrutor dizia que era o braço esquerdo que esse serviço faria.
Ainda bem que o pai era canhoto ambidestro, mas o maior problema ficou muito mais grave quando apareceu depois dos 77 a tal da retinopatia diabética.

Depois do casamento da irmã, a família já havia trocado de motorista em algumas aventuras e experimentaram de populares a mais finos com Dolphine, Sinka Chambord, Variant, Corcéis, Opalas, Maverick, Monzas, Chevete Hatch...chi...e com a condução do momento já contendo bagageiro, não precisávamos de mais nada, mas o sogro nunca descartava a idéia de um dia comprar sua grande perua amarela tração nas 4 rodas Rural Willys, utilitário possante ideal para suas pescarias.

O pai da menina se juntava com os outros pescadores na praia, armavam redes imensas e passavam o “picaré”, e a noite se paramentavam munidos de um lampião de carbureto, se embreavam pelas encostas daqueles morros na caça às rãs...e a mãe logo declarava:
- “Eu faço, mas limpem os peixes e as rãs”. Memória olfativa.

                                                                 -16-

FEIXE DE VARAS - pg.15


O moço vinha de origem humilde, católica extremista por parte materna, sendo educado por bons pais em ambiente rural sem nenhum tipo de agressividade. Crescendo com 5 machos, espancamentos não havia necessidade, talvez algumas chineladas por ocasiões de travessuras consideradas anormais reconduzindo o pequeno desvio temporário na tradição de que é de pequenino que se torce o pepino.
Convivência natural com animais irracionais de pequeno, médio e grande porte educando para a domesticidade com tentativa de controle de natalidade, na prevenção de instintos de brutalidade.

Mas o moço foi ao extremo da conquista, e jamais deveria ter tentado extrair no mais profundo da alma daquela sincera moça da cidade, o que de falsidade ela não tinha, só porque ela era uma atriz, não lhe dava o direito de achar que máscara ela poderia estar usando durante todo o período desse noivado. Radicalismo egóico na prevenção de uma auto estima excessiva.
Também lhe seria negado o direito de duvidar de tanta vigilância sucessiva.
Imaturidade emocional destrutiva. Pode ter passado por experiências semelhantes com todo o outro lado da outra família e fixado insegurança.
Quando a esmola é demais só o santo é que desconfia?

Se freqüentava com assiduidade aquele lar, era pra lá de conhecida a defesa da honra em riste que aquele casal em tudo cercava para nenhum alfinete restar, que maneira mesquinha de sua tal honra com orgulho empombar.

Se tivesse havido o boato, um homem de caráter um pouco mais evoluído, teria corrido com o soprista e aquela família honesta, jamais precisaria por toda essa patifaria passar...mas...quem seria essa pessoa pra julgar e condenar nessa terra de ninguém, onde dizem que perdão, só Deus é que pode perdoar...mas tem que aprender a pedir e não precisa implorar aos pés de qualquer altar em cruz seja de cinza, de barro ou de sal. O resto é mau.

E o noivado foi reatado, com pacto nupcial de renuncia total de ambas as partes artísticas, porque o noivo sabia o que realmente tinha tramado e o quanto as 2 famílias da noiva o idolatravam.
Formariam a sua família seguindo a tradição de que somente o homem a partir daquele enlace a todos que daquela espécie advisse, sustentaria.


E as tardes então, não importava se solava ou chovia, se ventava ou ardia...santo trabalho disciplinado na pontualidade das 3 horas das tardes, quando o Zé padeiro, todo de branco com seu bonezinho, locomovido por sua camionete na porta daquela Rua Rággio Nobrega 129 encostava, e o aroma da panificação entre cestas de fibras de vime se espalhava pela redondeza em meio aquele branco açucarado de roscas, pães e tantos sonhos recheados de marmelada ou goiaba cascão, até cobrir as orelhas pela calçada, tal e qual as iguarias da dona Catarina.!!!!!!ISO 2000? 
                                                          -15-

sexta-feira, 1 de julho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg 14



O PIVÔ DA DISCÓRDIA – LIMPANDO A CAGADA.
Tirando o dele da reta e incriminando o já difamado.

Um que se dizia amigo Barreto clarinetista, ainda vivo, levou a honra dessa indicação difamatória, segundo o noivo e mesmo assim, passou um tempão para que ele conseguisse encontrar o bode expiatório perfeito, que justificasse o mal feito sem nenhum tipo de contestação em contrário.
No final das contas, quem não acreditaria já que esse sujeito entre todos os da mesma classe era mesmo conhecido pela fama de falador, fofoqueiro e encrenqueiro... pra lá de consagrado. Moleza.

Os maiores prejudicados com essa história já faleceram faz muito tempo e baixaram sepulturas acreditando nesse tormento, menos a sogra, que foi até seu fim  afirmando que o gerardo era mentiroso, farso, ladino, discunfiado, pirigoso, um bebeketo e não acreditava em ninguém, muito menos nesse negócio de Amor. Pobre senhora, assim ela se expressava somente porque não compreendia que tudo era apenas uma profunda insegurança sentimental. E depois da tempestade, reataram em casamento.
Por que somente a menina, o marido e o clarinetista ficaram por dentro?

Com que direito depois de passado tanto tempo, ainda os daquele tempo ficam tentando se esconder desses fatos?
Como julgar sem provas depois de tantos anos já com sepulturas sem corpos em poços de almas?
Teria agora a menina mulher dever de denunciar publicamente e condenar espiritualmente aquele noivo por usar de um artifício muito perverso e barato, encontrando a pior maneira de uma boa moça testar?
Em que estágio de desenvolvimento cerebral estaria o grau de consciência daquela menina? Coisas que só mesmo através de uma maturidade gradual, lenta e progressiva em constante caminho do bem poderia ser codificada.

CARGA DE TRADIÇÃO MILENAR – CULTURA SEPARATISTA
DIVISÃO DE MORAL, ONDE SOMENTE OS MACHOS PODIAM TUDO.
JUGO, JULGO, CONDENO E MATO. PROVEDORES DO LAR.
MULHERES FIÉIS SERVIDORAS EM MANSIDÃO SE INCUMBINDO DA PROLE COM TOTAL LIVRE ARBÍTRIO. CONTINUIDADE DA REPRESSÃO, TRADIÇÃO E MANUTENÇÃO DE USOS, HÁBITOS E COSTUMES ADVINDOS DA CULTURA EUROPÉIA COM A FAMÍLIA REAL PORTUGUESA NO PERÍODO DA COLONIZAÇÃO. DOUTRINAÇÃO E RELIGIÃO.
Façam o que mando e não o que eu faço, e tudo continuará no mesmo compasso. Marchas. Guerras, Militares e Escravos. A cadeia mental.

Aquele noivo tinha nascido em 1936,  5 anos antes da noiva quando os sogros se casaram em 11 de janeiro de 1941 em plena era Getúlio Vargas, e estavam vivendo agora nos anos 60, onde presidentes da república eram nomeados em cargos públicos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.13

Tudo foi tão de repente que uma noite virou dia, quando a menina só via o noivo que foi convocado para comparecer naquela residência e na calçada da rua foi recebido com malas voando, coisas se espalhando, a aliança pesada de ouro e já gravada de 18 kilates e aquele radio vermelho de pilha junto aos coqueiros do jardim se espatifando.
Chi...e agora...o que estariam os vizinhos ricos presenciando?

Foram-se muitas noites que a menina não dormia com o choro amargurado da irmã querida...mas o que teria detonado tão triste episódio?

Só depois de 45 anos é que a menina soube dos fatos em sua cruel realidade. Outra cilada muito bem armada. Desta vez, a ferramenta cortava pelo lado mascarado de uma falsa honra moral, enfeitado com ciúmes no arranjo fenomenal de uma sinfonia que chamavam de Amor Perfeito.

Quais foram os verdadeiros motivos que ativaram a engrenagem do despeito nesse caso provocando a rachadura no alicerce que desencadeou a queda do castelo desses príncipes?

A artista: Primeiro o Físico depois os outros físicos. Predicativos do sujeito.
Corpo Escultural, coxas e pernas grossas com músculos fortes de bailarina dedicada, atriz exemplar trabalhando em teatros do SESC e em papéis principais no Circo Teatro “Irmãos Almeida” e como cantora uma afinação com domínio em palcos perfeito.

Honrada, educada, de família abastada, meiga, dócil, pura, virgem, bonita prendada, criativa, inteligente, habilidosa, coreografias próprias, desenhava seus figurinos e confeccionava manualmente os acessórios, bordava lantejoulas, canutilhos, pedrarias, a maquiagem, as fantasias que cobririam as óperas em ricos bordados e esvoaçantes sedas provocantes.

Comportamento inigualável, tratamento à distância, onde selinho era coisa de correios e telégrafos, no máximo aperto de mãos, nunca estava sozinha, ou era o pai ou a mãe...e bastou uma turnezinha para São José do Rio Preto, para que a praguinha fosse soprar no ouvido do noivinho, que a mocinha estava andando com toda a orquestra daquele cassino flutuante e ainda sob a cobertura da falsa moralista sogrinha! Plaft...pluft...estourava a boiada.

MANNAGIA...e sobrou até pra sogra que acompanhava as apresentações naquele tempo, pois era a mamãe que recebia machos e dividia escondendo as chifradas do futuro corno com a filha...magina só se a portuguesa não iria à forra até as últimas conseqüências...

                                                              -13-


quarta-feira, 22 de junho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.12


Com o diploma de curso técnico de escola tradicional, abraçou a área da metalurgia e sabendo que teria que se mudar da fazenda, veio morar na cidade mais próspera que era Campinas e se instalou em uma pensão alugando um quarto que dividia com outro e ficava na Rua José Paulino, vizinho da vó Margarida. Empregou-se na americana Clark e dedicado ao extremo, levava a vida dividindo-se entre muitos cursos de aperfeiçoamento até atingir o mais alto grau em ferramentaria de corte com especialidade em engrenagens, viajando muitas vezes para Inglaterra, Escócia e Estados Unidos, mas não antes de cursar uma escola de inglês “Christmmi” do abastado americano que um dia tornou-se seu vizinho.
E precisando de ajuda de custo, a música preenchia o cofrinho.

Um dia aconteceu o encantamento e estava fatorizado o relacionamento começando o tempo do namoro da irmã mais velha da menina.
As visitas se limitavam aos dias ímpares da semana, somente 3as., 5as., ficando o sábado com direito a pequenas voltas no quarteirão ou um cinemão. Domingos era tempo de congelar os ânimos e descanso para os seguranças.
O moço ganhava bem e a família recebia o primeiro presente para que todos agora pudessem assistir Televisão na sala, e a menina todas as tardes depois que pela manhã freqüentava a escola, somente a Estação Cultura a programação não perdia.

A sogra era um mimo só.
“Bauru quentinho com coca-cola gelada na “Frigidaire” era praxe....e o genro só recebia elogios.

OS RUMINANTES EM SUAS ESTREBARIAS – ELABORAÇÃO MENTAL ARMANDO O PLANO, TRAÇANDO AS ESTRATÉGIAS.
PLANTANDO O VERDE PARA COLHER O QUE JAMAIS TINHA SIQUER GERMINADO, QUANTO MAIS AMADURECIDO.
Até que o noivo em um daqueles dias, do lado de fora do abrigo, lançou a flecha do cupido com o dardo envenenado e atacou a mocinha alegando:
“chifre na cabeça e ainda antes do casório...nã nã ni nã não”

A partir daquele dia, era só gritaria, prantos e ranger de dentes.
A irmã não saia do quarto. Olhos vermelhos inchados era choro por todo lado e o colchão não era d’água...porca miséria, repetia o sogro.
A sogra não engoliria esse destrato com o alto grau máximo da ofensa moral pelo qual todos os outros ancestrais da mesma medida se limpavam.
Aquele embrolho não ficaria daquele jeito. Naquele tempo, a péssima fama se se espalhasse, enterraria toda e qualquer esperança de uma jovem virgem de família e a vergonha não estava em nenhum plano de cartilha.
O lençol manchado com o sangue do ato desvirginal  só seria estendido depois de casamento oficial em cartório, igreja, muitos padrinhos e olhe lá....
                                                           -12-