Postagens populares

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.42


Foi mantendo a horta de verduras e legumes e muita fruta tendo até bananeiras, caquis, laranjas de todos os tipos, mamoeiros, limoeiros, mangueiras, jabuticabeiras e tentou criar tilápias em tanques, mas desistiu por estar sendo roubado pelos vizinhos de cima, nos períodos em que não podia a vigilância intensificar, conservou a construção primária que serviu de moradia para um caseiro com família registrado e um barracão enorme com todos os tipos de máquinas e todo o tipo de ferramentas, tornos, serras elétricas, esmeril, que disponibilizava em manutenção permanente para a irmandade junto com outros parentes que já iam dilatando aquela família raiz, cunhadas, sobrinhos que já iam se ramificando e tudo realizou sem a ajuda de nenhum irmão.

E todo fim de semana os freqüentadores assíduos Arfi, Tizó e Durico, retornavam pra suas casas com os porta malas abarrotados. 
O veia, com seu corcel ou camionete, não poupava nenhum tipo de esforço, para que a mamãe da distribuição se encarregasse, onde de vez em quando escolhendo as piores colheitas, doavam para aquela família orgulhosa, que também vez em quando em comemorações se encontravam.
Quem mesmo se fartava sem nunca ter posto o pé naquela estradinha de terra com cascalhos pedriscada, eram os vizinhos ricos ou amigos mais interessantes mas teve um único agregado de nome Natal, casado com a prima Mirtes que é filha do falecido tio Durico, que residindo na casa herdada pelo sogro na baixada bugrina fazendo divisas com as redondezas da montanha das Paineiras do tio Irardo, entregava naquela porta, em serviço social, folhas de caquizeiros que era o único pedido da esposa dedicada, para que o chá de diabetes continuasse enganando o veinho onde sempre alegava que nunca mais era  tempo de  nenhum tipo de fruto.

Já corria a década de 80, e a nona permanecia firme e forte enterrando outro filho Durico, até que num dia de novembro de 1987, esse sorterão bateu as bota, vítima de enfarto por estado depressivo de consciência pra lá de pesada e de madrugada.
Morte súbita, o choque completamente fora de todos os planos e dentro da outra casa onde com a nona morava, vizinho do irmão Arfi, que já havia cerrado as portas da oficina, não antes de ter reformado naquele terreno, uma casa que em ruínas abrigava a única inquilina costureira Deolinda que a menina se lembrava.

A menina mulher nesse tempo residia temporariamente em São Paulo e quem levou o pai para atestar o fato, foi a irmã Terezinha que lá chegando só deu pra ver a movimentação de papéis, pastas, arquivos, cheques que o caçula Arfi junto com o Tizó, daquele escritório doméstico numa escrivaninha antiga, foram amontoando e passando por cima do muro, enquanto a Nona em prantos se estrebuchava ao lado do corpo do filho amado.
                                                     -42-

Nenhum comentário:

Postar um comentário