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domingo, 6 de novembro de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.38


Do outro lado da cidade, na casa da nona rica a compostura indicava para os clássicos e óperas que gastavam as agulhas diamantadas dos toca discos volumosos enquanto ela tecia colchas de retalhos cozidos manualmente em minúsculos alinhavos com formas geométricas cuidadosamente distribuídos como donativos junto as casas espíritas de caridade ou amizades que mais interessava, pois o marido falecera em 10 de Dezembro de 1954, vítima de enfarto do miocárdio aos 64 anos.

A cena do velório na sala daquela casa do nono Adão, acompanhará também a menina até o fim de seus dias.
A nona, recostada na cama de imbuia preta do casal, recebia a fila de condolências e o filho solteiro inconsolável fazia as reverências.
                                                             
 A nora Dirce vivia dizendo que bem feito: esse veio nem colocando pra fora o que já tinha virado bosta, sentava na privada comendo fatias de melancias? Pronto, agora vamos contar os dias que faltarão para botar a mão no monte de herança que esse nono com trabalho suado dias e noites em alfaiataria, junto com seu filho Iraldo tanto labutou e acumulou patrimônio sólido que virou líquido em benefício dos outros ladrões.

O nono italiano quando desembarcou nessas terras virgens, veio determinado a fazer fortuna, e na bagagem trazia um bombardino.


Entre a alfaiataria e a música, participava como músico na “Banda Ítalo Brasileira”, que o havia recebido de braços escancarados, onde depois fundou a primeira corporação musical da cidade com o nome de "Banda Progresso" pois aí sim, poderia ser o maestro e incorporar aos poucos cada filho, que foi escolhendo o instrumento em que mais se identificava, ficando a critério de prioridade do pai da menina o piston, depois a trompa de harmonia, o caçula arfi se especializou no trombone de vara, o tizó achou que o bumbo não comprometeria muito, o durico preferiu os pratos e o zirdo não se manifestou.
Assim, todos os filhos foram se compondo naquela instituição, tendo somente o pai da menina os mesmos predicados de alfaiate e o amor pela música, onde  economizando com agulhas e linhas, já tinha poupado o suficiente para comprar sua primeira casinha.
Surgiam então as primeiras amizades que novamente os dados de Einstein jogariam para que aquele filho honrado, honesto, labutador, encontrasse realmente a esposa perfeita em tudo, incluindo a sereia.

NÃO BASTA SER AMIGO DO RICO, TEM QUE SER RICO
Entre um papo e muitos outros, um desses já conhecidos de amigos, pobre e sem futuro garantido, precisava demonstrar que mantinha relacionamentos estreitos com a classe mais abonada e cada vez que naquela oficina de costura ia, comentava da virtuosidade de uma família mista e numerosa, pois freqüentava a oficina da outra relojoaria em constantes prestações de serviço com assistência técnica especializada, e ainda não tinha conseguido convencer a escolhida a aceitar sua corte oficial, e vivia insistindo para o amigo ajuda-lo nessa conquista.
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