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quarta-feira, 20 de julho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.22



O quarto principal só tinha uma cama de casal e um guarda roupas de imbuia antigo fazia divisa com outro quarto com 2 camas de solteiro que poderiam servir possíveis visitas de filhas inesperadas em descansos  mensais ocasionais, e ficavam os colchões de crina estirados com colchas brancas que ainda era do seu enxoval que ela havia trazido de Portugal, onde em outra cômoda lotada dessas iguarias, depois da oficina, muito mais coisas desapareceriam.

Naquela noite como de hábito, por volta de 21,00hs ela trancou a porta por dentro e se voltou para o quarto onde a menina já estava quentinha e depois do  “Bença vó – Deus te abençoe”, fomos adormecer pra outro dia.
Por volta de 23,00hs aquele telefone que ficava à uns 5 metros de jornada, começou a incomodar.

A vó acordou a menina e pediu para que ela fosse em seu lugar.
Precaução...o piso era de cerâmica fria, haviam 2 portas entre os corredores e um degrau que dava acesso à oficina, e interruptores só havia no local.
Carregar vela acesa entre correntes de ventos, com idade avançada, dores em todos os ossos do corpo, pois continuava atendendo aos filhos durante os dias esquentando marmitas, lavando as louças, depois suas próprias roupas e atendendo a porta que de dia não parava a campainha e a minuciosidade dos consertos exigia tempo integral, seria uma fria.

E lá foi a menina....Alô?................................................................................
Alô?..............................ALÔ.................ALLLÔÔÔHHHHHH. Gancho.
- Quem era Dinha?
- Acho que foi engano vó...num responde!!!!

Lá vinha a Carmem Miranda com a marchinha de sucesso no momento histórico:
“Alô Alô, responde...
          Responde com toda sinceridade...
                    Alô Alô responde...
                              Se gostas mesmo de mim de verdade.”

Mas antes o grande compositor Donga já havia feito sua homenagem à essa invenção de Grambel tendo entrado para as páginas da história fonográfica brasileira por ter sido a primeira gravação em disco de cera.

Tudo vinha pelo Rio de Janeiro, pois Donga era um jovem negro sambista que freqüentava a Casa da negra ex escrava alforriada Tia Ciata que protegia os músicos da outra parte da sociedade que desde aquele tempo segregava essa nata de sensibilidade onde até essa atualidade o samba vem sendo divulgado por outros mais consagrados de acordo com a popularidade e dizia assim:
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sábado, 16 de julho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg 21


O percurso para o deslocamento desse bairro até a casa da sogra, levaria 20 minutos se tudo transcorresse sem nenhum inconveniente.

TRAMA DIABÓLICA – COISA DE INOCÊNCIA DE CRIANÇA?
Como havia diariamente telecomunicação entre a fraternidade feminina, bastava a samaritana Dirce contar a benfeitoria do dia, onde a primazia corria por conta da irmã caçula Nilza e todas as outras 3 irmãs repassavam entre si e depois para os mais íntimos e telefone sem fio era brincadeira só de criança, pois aqueles fios dioturnamente carregariam todos os circuitos neuro vegetativos do sistema nervoso central e emocional em todos os sentidos.

Mulheres com seus Maridos e filhos nas coxias.
Mirando-se no exemplo das mulheres da Atenas do filósofo Sócrates.
Havia uma cultura onde as netas revezariam as dormidas com a avó que jamais ficaria sem vigia dia e noite, noites e dias. Zelo.

Até que um dia no plantão da menina, colocaram em execução o plano ardilmente tramado entre outras linhas e partiram para o ataque terrorista.
Armaram a cilada em 3 fases. Sabiam que desta vez o espancamento levaria à forra todos os despeitos e invejas que engoliam a respeito do caráter, da fortuna, da honra, da ingenuidade, da bondade, da pureza daquela prima, dos quais perfeitamente sabiam que jamais se igualariam....e...que pena...o que é bom já nasce feito, e se não nasceu bom, não precisava descontar no mal do ódio, do desprezo, do rancor, da mágoa, do despeito mas deveriam procurar modificar e transformar esses sentimentos cumulativos para que menos doenças tão malignas e cruéis pudessem ir se avolumando, levando todos viventes em semelhanças lamentáveis.

Não havia televisão na casa da vó, e mesmo tendo eletricidade, o hábito de uma vela em cima dos criado mudos, serviam para pelo menos, não derramar cada cheio pinico que ficava debaixo de todas as camas. Os tios que ocupavam de dia a oficina e pagavam o aluguel, instalaram um único aparelho de telefone comercial para se engajarem no lucro funcional e acompanharem a evolução industrial.

Ela era analfabeta, e a lista telefônica, cada interessado escrevia com caneta na parede da cozinha, mas ligações externas, ela não fazia, nem atendia quando o ring daquele aparelho estridente grunhia.
Aquele instrumento era de utilidade para seus filhos autônomos independentes.
De nada mais ela precisava, e assim os dias e as noites se passavam, onde todos sabiam que de noite num tinha selviço nem criente chato  pá não martratá, portanto...se aquele pretão resorvesse tarde da noiti se manifestá....só pudia sê casu dimorte...e....

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FEIXE DE VARAS - pg.20




As duas irmãs eram as mais queridas e estimadas pelos tios nessa família.
Graciosamente sempre bem vestidas com laços de fitas e rendas, banhadas, cheirosas, educadas, carinhosas, amorosas, completamente desprovidas e desinteressadas em qualquer tipo de gratificação que espontaneamente ou não os mimos e os elogios claramente apareciam entre todos os comentários mais particulares. E a fama corria entre os primos machos ou fêmeas que eram mesmo os mais despeitados.


Estatuto da criança e adolescente? Delegacia da Mulher? Traumas?
Exame de corpo de delito? Subsídios emocionais  preciosos.
A criação de continuidade rude e severa repassada pela bisavó Brígida, que repassou para a sua filha e minha avó Margarida para com todos seus filhos em surras de cintas chinelos, varas, atinham-se na apaziguação quando das brigas acirradas com agressividade entre as crianças, que diversificavam os castigos para as meninas cuja rigorosidade se firmava na sexualidade frágil, deixando claro entre todos que depois de formadas outras famílias, não haveria interferências entre as outras famílias que nessa educação doméstica sofriam outras influências dando o livre arbítrio total, se omitindo em todos os casos, mas nunca batiam sem comprovação adequada, quer por flagrante detectado em cada ocasião, presenciado ou não. A vó Margarida nunca batia por indução, no oposto da filha Dirce que com as peraltices normais não se manifestava. Mas aquela moral sexual, vinha fosse de que jeito fosse em forma de castigos injustificados, que em surtos psicóticos espancava com o que no momento estivesse segurando e o marido não palpitava, e aí veio o farto banquete para que a pura inveja se manifestasse, pois desses exemplos a família inteira comentava.
E assim dentre todos os primos machos, 3 se destacaram.
Dois irmãos Bertinho e Kiko, filhos do Tio Berto e Tia Nilza


e o outro primo Gustinho filho do falecido Tio Alcides com a Tia Lilica, irmão de mais 2 fêmeas Marly e Miriã.



Na família inteira, só a madame irmã Dirce que havia se casado com um futuro milionário, é que possuía carro próprio já naquela época, e era a única que semanalmente revezava as visitas entre essa parentaria que em meio a cafés e festas, todos em unanimidade, conheciam a fama de espancamentos da parte dessa torturante criatura, que agia instantaneamente sem nenhuma necessidade de apurar os fatos na mais profunda verdade, e só com boatos a coisa pegaria.
Juntando o trio na cabaninha da árvore do quintal, começaram a tramar a vingança daquela metidinha.
Naquele tempo, os pais da menina já haviam vendido o primeiro imóvel de residência fixa, e estavam dividindo o mesmo teto com a filha recém casada, em uma casa alugada no bairro Taquaral, na Rua Azarias de Melo, 301, onde na Rua de trás Paula Bueno passava o bonde que fazia divisa traseira com esse terreno e havia outro Cine “São José” de bang bang onde hoje é sede de evangélicos.
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FEIXE DE VARAS - pg 18


Até que em um desses domingos, enquanto os pais, na cachoeira que ficava a 1 km daquela margem vigiada se divertiam, deixaram aos cuidados da sogra avó materna Margarida, a responsabilidade de não perder as crianças das vistas, pois sabiam a quem essa função delegariam, jamais podendo imaginar, que dessa preciosa prestação de serviços, uma eterna dívida de gratidão se contrairiam.

Atenta na vigilância da neta mais levada, a vó coruja Margarida, esse farol humano numa distância considerável, desconfia das cambalhotas anormais e esquisitas que se desenhavam em seu campo visual focal de linha reta sem óculos ou binóculos, grita pedindo socorro.
Imediatamente um banhista se atirava naquela correnteza e içava o corpo da criança pra beirada cimentada.
A consciência da menina só despertou quando aos pés do rochedo estava virada com o peito em terra, levando pancadas nas costas e descomendo pela boca aquela água barrenta engolida durante o quase afogamento, onde antes ela se lembrava que o seu corpo rodopiava...e tudo voltou ao normal, pois ainda era uma manhã deliciosa e os petiscos iscavam nas redes frescas.
A avó paterna? Ficou com as honras e ganhou placa comemorativa em um pedaço daquele território: “Recanto Dona Tereza Gozzi”.


TRADIÇÃO DE IMIGRANTES PORTUGUESES E OU ITALIANOS:
MORAL SEXUAL, MANTER A VIRGINDADE FEMININA CUSTASSE O PREÇO QUE FOSSE, O RETORNO COMPENSARIA.

AS ARMAS DOMÉSTICAS DA ÉPOCA, CHICOTES, CINTOS, CHINELOS DE COURO, PORRETES DE MADEIRA, CORDAS NA EDUCAÇÃO DE BASE INFANTIL COM RECONDUÇÃO DE COMPORTAMENTO FÍSICO DE CONDUTA EXPLÍCITA.
SEGUINDO EXEMPLOS NA CONTINUIDADE DE CASAMENTOS OFICIAIS E O FORTALECIMENTO DOS FUTUROS CASAIS.
FIXAÇÃO DE GERAÇÃO EM GERAÇÕES, A PARTIR DE CRISTO.
REGULAMENTOS, DOUTRINAS, DOGMAS, ESTIGMAS, PECADOS, CRIMES. CONTROLE RÍGIDO E AUTOMAÇÃO MENTAL.
A ERA CIBERNÉTICA.

Nada se comparava a maior alegria do que ir visitar essa avó materna pobre e humilde, que sozinha educou com honra seus 12 filhos, pois o marido que era confeiteiro e trabalhava 8 horas diárias em uma padaria localizada uma quadra acima da moradia na Rua José Paulino, precocemente perdeu o juízo ainda em pleno exercício de ofício no vigor da energia aos quarenta anos de idade, sem nenhuma aposentadoria ou qualquer tipo de benefício, internação em Juqueri? Era só o que existia naquele tempo e seria a maior vergonha para a família. 

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FEIXE DE VARAS -pg 17




Era tão gostoso, que a menina nunca mais esqueceu do cheiro fedorento que aquele gás venenoso daqueles lampiões exalava e só de lembrar na mente, imediatamente lá vêm aquele odor novamente, mesmo que o fato tenha acontecido há mais de 40 anos atrás sem ter havido nenhum outro contato com essa experiência nesse período de ausência. Coisas da ciência.



Maravilhoso ter tio paterno rico com carrão chevrolet importado e jipe último tipo ocupando ainda uma pequena parte do poder social em um cargo de presidente de honra de um clube de regatas durante 18 anos consecutivos, com duas sedes, sendo uma no campo e outra na cidade, e assim, todo sábado era religião:
Se deitar rezando ao pai com véu para que todo domingo não houvesse uma nuvem de chuva no céu, pois só assim os picnics com toalhas almiscaradas forrariam a grama aromatizada junto dos buritis, tamarindos que caiam em penca protegendo com sombras o caudaloso rio Atibaia em mais uma tarde de barcos, remos, cachoeiras, trampolins e muitos tupiniquins.


Crime ambiental? Propriedade Particular com intercessão de um trecho de rio estadual nacional? Apropriação Indébita.


E mais um domingo inesquecível...em meio a todo esse direito de lazer.
A futura sede do clube de campo ainda estava em planejamento e caminhava para o fatal desenvolvimento.
Logo na entrada ficavam os vestiários, seguidos por 3 imensas quadras de tênis com iluminação completa, campo de futebol, campo de bocha, o barracão dos barcos próprios dos associados, um restaurante, tudo cercado por vigorosas árvores onde as redes se engalfinhavam. A Mata Atlântica.


Assim que descíamos do carro que ficava embaixo de sombras de seringueiras gigantes, corríamos todos para o vestiário, e o pai voltava com calção, boné e chuteiras pro futebol depressa extravasar.
A menina com seu maiozinho fechado, touca de borracha na cabeça, disparava em corrida para no rio se refrescar.

ESPORTES, LAZER, DIVERSÃO, DESCONTRAÇÃO, DISCIPLINA E UNIÃO
Ainda não existiam as piscinas, e foi o presidente Zildo que daquela floresta aos poucos foi fazendo as festas e somente o rio de correnteza pesada fazia a sua parte, com uma cobertura e bancadas em uma das margens, onde alguns sentados, observavam a imersão naquelas águas marrons dos banhistas alvoroçados que se atiravam de um trampolim quando das festas carnavalescas de fantasias, apenas os homens em papel crepom de mulheres se vestiam, numa alegria contagiante fenomenal...e quando não havia Carnaval, os banhos no rio eram a atração principal.

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