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segunda-feira, 11 de julho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.19


Tudo bem diferente dos dias atuais, onde muitos sadios vão alegando doenças incapacitantes e se escorando sob auxílio doença, ou pensões por mortes de outras vítimas e ficava apenas sentado em cadeiras de balanço de madeira na inércia da contagem progressiva dos dias terminais na complementação para o dia do juízo final...e essa avó valorosa cumpriu uma missão dolorosa comemorando Bodas de Ouro, onde só baixou sepultura 10 meses depois de recente viúva.


Era uma casa geminada que foi a única morada, alugada até o fim de todos aqueles dias, sem frente com apenas 2 janelas envidraçadas e uma imensa porta de madeira verde com tranca em garras de ferro fundido direto na rua estreita com calçada de mosaicos portugueses pelos paralelepípedos da Rua Regente Feijó 478, bairro centro em Campinas estado de São Paulo do Brasil gigante, vizinho de frente com um prédio do Educandário Casa de Santo Antonio, O Cine das pulgas Santa Maria onde só passava Faroeste, na esquina uma quitanda completa, na viela o bicheiro Armindo, onde semanalmente a vó fazia o terninho com vaca, galo e porco não dispensando a borboleta, não havia cabeleireiro, onde os cômodos se dividiam pela esquerda em 3 quartos ainda subdivididos, entremeados pela Oficina da relojoaria recheada de consertos cujos 2 filhos trabalhavam de costas cada um na sua bancada sendo um especialista em relógios minúsculos de pulso e o outro em cucos e despertadores gigantes...e outro rádio sempre conectado nos maiores sucessos musicais daquela Época de Ouro. 


Quem se importaria em saber que graças ao bilhardário italiano Marconi inventor das ondas é que haveria liberdade de comunicação e as classes sociais poderiam exercer o livre arbítrio decidindo o que seria diversão dentro da cultura musical fazendo com que a maioria elegesse em unanimidade os verdadeiros cantores brasileiros daquela época, onde no continente Brasil o cantor das multidões teria o mesmo controle de qualidade em qualquer cidade pelas casas que a mesma estação sintonizavam.
Saindo 2 portas para o quintal comprido com boa parte cimentada junto do tanque de cimento enorme onde os varais se cruzavam e toda a roupa era quarada.

E surgiam os primeiros sinais de telefonia fixa...os aparelhos pretos, pesados com campainha forte....que desgraça....
Tudo era delicioso...fantástico ir dormir na casa dessa avó.
A menina já era mocinha e se encostava em seu peito, se fosse colcha ou cobertor, o calor era perfeito...que pena...a menina não se lembra do que conversavam...apenas uma noite de horror  pode ser comentada.

                                                                 -19-

terça-feira, 5 de julho de 2011

CHEVROLET NA HORA


Prezados Senhores:
Quem sou eu? Lá no meu blog varaldequintal.blogspot.com tem mais ou menos não apenas quem eu sou, mas no que esses governos corruptos me transformaram. Era uma grande artista, intérprete, produtora, competente. Com os cachês dos nossos shows eu conseguia comprar um carrinho popular, mas hoje....vivo com minha única renda de salário mínimo, excluída do mercado de trabalho, completamente dependente de Postos de saúde públicos,  e fiquei com uma única carrocinha Ford fiesta 97, que agora com seus 62.000km originais começaram a me enterrar mais ainda. Nessa contemporaneidade atual apenas com o dígito zero, não tenho mais condições financeiras pra bancar  financiamentos extorsivos, agiotas de gravatas, e só mesmo quando surge essas promoções de ganhar em concursos é que ainda preciso ralar joelho em escadarias de igrejas, apelando para essa tal de fé. Ontem, fui até sua concessionária ADARA daqui de Campinas, só com 3 gravatas, esperando ganhar o terno completo. Uma, a vizinha me deu, outras 2, imprimi no meu computador.
Qual foi a instrução que seus vendedores receberam com relação a essa promoção?
Intrigante...aquela que vem por circulação de imprensas escritas, o funcionário passou, e naturalmente ...na hora...nem pensar..não estamos mais há muito tempo no tempo dos milagres...e perguntei: E essas 2 que imprimi? E ele me respondeu que eu, por ter cadastrado no site, já estaria concorrendo automaticamente?
Caramba...o que está escrito no impresso e no site?
Que preciso não danificar o impresso e tenho que me dirigir até uma autorizada para validar o código...não é?
Bem...hoje voltarei na DARUJH da Orozimbo Maia...e vamos ver se os vendedores de lá estão mais capacitados....quanto a mim...continuarei rezando? Apelando para o bom censo presentear mesmo quem mais está necessitando? Será que bom caráter conta?
Aguardaremos. O melhor carro é mesmo GM...o sistema de suspensão que não prejudica a nossa coluna...eu tive um Monza, e na época que tinha dinheiro tive um OMEGA 94 completo...meu deus...que saudade daquele tempo.

Sua mensagem foi enviada com sucesso. Obrigado.
05/07/11 – 10,46hs – site chevroletnahora


sábado, 2 de julho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.16


Cooperativa tinha na antiga Caixa Econômica Federal de verdade e é indescritível a imensa euforia quando aquele caminhãozão encostava na nossa portaria...o enxoval enriquecia com lençóis, fronhas, colchas de linho puro branquinho, rendas, toalhas, as compotas, os secos e molhados, as bebidas...os descontos caiam em holerites...hipermercados?
E somente meio século depois é que a menina entendia porque toda noite e todo dia daqueles ela ouvia: Essa caixa é uma mãe...quanta galhardia.
Ah...num inzistia procon...nem pequenas causa...e o fornecedor num faiava.


E Colônia de Férias em Suarão.
Num terreno de talvez 2000m2, haviam 10 casas de alvenaria simples construídas em U, onde a portaria ficava em outra casa que abrigava o caseiro Raul e sua família de 4. Havia na frente um pátio com os brinquedos essenciais, gangorra, balanço, gira gira, escorregador, algumas árvores chapéu de praia. Sala, cozinha, 1 quarto e 1 banheiro, onde nos quartos 2 beliches de cimento faziam ligação com a cozinha de um fogão e uma geladeira antigos, panelas no armário e o resto agente fazia.

Cada vez que saíamos de Campinas para atravessar São Paulo, descer a serra para aquela Itanhaém, tínhamos naquela Pedro Taques uma única referência de desembarque: A Torre de uma igrejinha, o resto, era coragem.
O Pai da menina era um motorista perigoso, mas cauteloso.

Naquele tempo a família havia comprado o primeiro carro e era um fusquinha bege 58 importado com a primeira marcha seca, como denominam os colecionadores e mesmo já existindo as setas de indicação, o instrutor dizia que era o braço esquerdo que esse serviço faria.
Ainda bem que o pai era canhoto ambidestro, mas o maior problema ficou muito mais grave quando apareceu depois dos 77 a tal da retinopatia diabética.

Depois do casamento da irmã, a família já havia trocado de motorista em algumas aventuras e experimentaram de populares a mais finos com Dolphine, Sinka Chambord, Variant, Corcéis, Opalas, Maverick, Monzas, Chevete Hatch...chi...e com a condução do momento já contendo bagageiro, não precisávamos de mais nada, mas o sogro nunca descartava a idéia de um dia comprar sua grande perua amarela tração nas 4 rodas Rural Willys, utilitário possante ideal para suas pescarias.

O pai da menina se juntava com os outros pescadores na praia, armavam redes imensas e passavam o “picaré”, e a noite se paramentavam munidos de um lampião de carbureto, se embreavam pelas encostas daqueles morros na caça às rãs...e a mãe logo declarava:
- “Eu faço, mas limpem os peixes e as rãs”. Memória olfativa.

                                                                 -16-

FEIXE DE VARAS - pg.15


O moço vinha de origem humilde, católica extremista por parte materna, sendo educado por bons pais em ambiente rural sem nenhum tipo de agressividade. Crescendo com 5 machos, espancamentos não havia necessidade, talvez algumas chineladas por ocasiões de travessuras consideradas anormais reconduzindo o pequeno desvio temporário na tradição de que é de pequenino que se torce o pepino.
Convivência natural com animais irracionais de pequeno, médio e grande porte educando para a domesticidade com tentativa de controle de natalidade, na prevenção de instintos de brutalidade.

Mas o moço foi ao extremo da conquista, e jamais deveria ter tentado extrair no mais profundo da alma daquela sincera moça da cidade, o que de falsidade ela não tinha, só porque ela era uma atriz, não lhe dava o direito de achar que máscara ela poderia estar usando durante todo o período desse noivado. Radicalismo egóico na prevenção de uma auto estima excessiva.
Também lhe seria negado o direito de duvidar de tanta vigilância sucessiva.
Imaturidade emocional destrutiva. Pode ter passado por experiências semelhantes com todo o outro lado da outra família e fixado insegurança.
Quando a esmola é demais só o santo é que desconfia?

Se freqüentava com assiduidade aquele lar, era pra lá de conhecida a defesa da honra em riste que aquele casal em tudo cercava para nenhum alfinete restar, que maneira mesquinha de sua tal honra com orgulho empombar.

Se tivesse havido o boato, um homem de caráter um pouco mais evoluído, teria corrido com o soprista e aquela família honesta, jamais precisaria por toda essa patifaria passar...mas...quem seria essa pessoa pra julgar e condenar nessa terra de ninguém, onde dizem que perdão, só Deus é que pode perdoar...mas tem que aprender a pedir e não precisa implorar aos pés de qualquer altar em cruz seja de cinza, de barro ou de sal. O resto é mau.

E o noivado foi reatado, com pacto nupcial de renuncia total de ambas as partes artísticas, porque o noivo sabia o que realmente tinha tramado e o quanto as 2 famílias da noiva o idolatravam.
Formariam a sua família seguindo a tradição de que somente o homem a partir daquele enlace a todos que daquela espécie advisse, sustentaria.


E as tardes então, não importava se solava ou chovia, se ventava ou ardia...santo trabalho disciplinado na pontualidade das 3 horas das tardes, quando o Zé padeiro, todo de branco com seu bonezinho, locomovido por sua camionete na porta daquela Rua Rággio Nobrega 129 encostava, e o aroma da panificação entre cestas de fibras de vime se espalhava pela redondeza em meio aquele branco açucarado de roscas, pães e tantos sonhos recheados de marmelada ou goiaba cascão, até cobrir as orelhas pela calçada, tal e qual as iguarias da dona Catarina.!!!!!!ISO 2000? 
                                                          -15-

sexta-feira, 1 de julho de 2011

FEIXE DE VARAS - pg 14



O PIVÔ DA DISCÓRDIA – LIMPANDO A CAGADA.
Tirando o dele da reta e incriminando o já difamado.

Um que se dizia amigo Barreto clarinetista, ainda vivo, levou a honra dessa indicação difamatória, segundo o noivo e mesmo assim, passou um tempão para que ele conseguisse encontrar o bode expiatório perfeito, que justificasse o mal feito sem nenhum tipo de contestação em contrário.
No final das contas, quem não acreditaria já que esse sujeito entre todos os da mesma classe era mesmo conhecido pela fama de falador, fofoqueiro e encrenqueiro... pra lá de consagrado. Moleza.

Os maiores prejudicados com essa história já faleceram faz muito tempo e baixaram sepulturas acreditando nesse tormento, menos a sogra, que foi até seu fim  afirmando que o gerardo era mentiroso, farso, ladino, discunfiado, pirigoso, um bebeketo e não acreditava em ninguém, muito menos nesse negócio de Amor. Pobre senhora, assim ela se expressava somente porque não compreendia que tudo era apenas uma profunda insegurança sentimental. E depois da tempestade, reataram em casamento.
Por que somente a menina, o marido e o clarinetista ficaram por dentro?

Com que direito depois de passado tanto tempo, ainda os daquele tempo ficam tentando se esconder desses fatos?
Como julgar sem provas depois de tantos anos já com sepulturas sem corpos em poços de almas?
Teria agora a menina mulher dever de denunciar publicamente e condenar espiritualmente aquele noivo por usar de um artifício muito perverso e barato, encontrando a pior maneira de uma boa moça testar?
Em que estágio de desenvolvimento cerebral estaria o grau de consciência daquela menina? Coisas que só mesmo através de uma maturidade gradual, lenta e progressiva em constante caminho do bem poderia ser codificada.

CARGA DE TRADIÇÃO MILENAR – CULTURA SEPARATISTA
DIVISÃO DE MORAL, ONDE SOMENTE OS MACHOS PODIAM TUDO.
JUGO, JULGO, CONDENO E MATO. PROVEDORES DO LAR.
MULHERES FIÉIS SERVIDORAS EM MANSIDÃO SE INCUMBINDO DA PROLE COM TOTAL LIVRE ARBÍTRIO. CONTINUIDADE DA REPRESSÃO, TRADIÇÃO E MANUTENÇÃO DE USOS, HÁBITOS E COSTUMES ADVINDOS DA CULTURA EUROPÉIA COM A FAMÍLIA REAL PORTUGUESA NO PERÍODO DA COLONIZAÇÃO. DOUTRINAÇÃO E RELIGIÃO.
Façam o que mando e não o que eu faço, e tudo continuará no mesmo compasso. Marchas. Guerras, Militares e Escravos. A cadeia mental.

Aquele noivo tinha nascido em 1936,  5 anos antes da noiva quando os sogros se casaram em 11 de janeiro de 1941 em plena era Getúlio Vargas, e estavam vivendo agora nos anos 60, onde presidentes da república eram nomeados em cargos públicos.