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domingo, 29 de janeiro de 2012

FEIXE DE VARAS - PG.46

Lá estava mesmo, aquela avó maravilhosa, deitada serena, toda vestida com o mesmo terninho azul marinho que tinha usado na cerimônia suntuosa da recente Bodas de Ouro naquela Igreja Catedral, com seus brinquinhos de ouro que havia trazido de Portugal incrustado com os 4 naipes minúsculos do baralho universal e suas 2 alianças pesadas de ouro de viúva...bem diferente no velório que organizaram naquela saudosa maloca onde no caixão só não lhe trocaram as roupas o resto tudo limparam.

Aquele quarto onde a menina com aquela avó adormecia, virou uma sala em penumbra; agora apenas 4 velas compridas rodeavam o esquife, as cadeiras em laterais compunham o ambiente e nas janelas cortinas pretas indicavam que naquela residência nunca mais a alegria voltaria.

E a família em peso se reuniria. O ARRASTÃO DO ARRESTO DOS BENS.
A ASTÚCIA DAS RAPOSAS COM OS LOBOS
Naquela saleta onde ela com tanto carinho todas as roupas guardava, gavetas arrombadas, coisas descartadas sem nenhum valor mais pra ser relevado, e novamente para a dona dirce ficaram 2 cálices de vinho colorido, que a vó guardava com carinho e tinha pertencido a sua mãe legítima portuguesa Brígida, que quando em outro tempo também se quebraram, junto com aquela tábua de bater carne, para o lixo, todos não se importaram.

O crime de furto qualificado dos objetos mais valiosos, foi amputado à cunhada Dolores associada com o marido Luizinho, segundo os mais inconformados por terem chegado atrasados, tendo que se contentarem com o que sobrou do nada que restou para ser perpetuado.




CAPÍTULO II – A CAMINHO DA ADOLESCÊNCIA



1956 – Jardim da Infância do “Instituto de Educação Carlos Gomes”, onde para conseguir uma vaga, só com influência de vereador...caramba..o que será que mudou?

Agora já era o tempo da escola, e a caminhada longa. Entre subidas e descidas, sainha azul marinho entrelaçada com blusinha branca e o monograma com as iniciais IE* (Instituto de Educação) caprichosamente desenhadas e bordadas à mão em vermelho e azul, laço de fita alinhado no cabelo castanho escuro, era a indicação de que naquela família, a caçulinha teria a chance de no melhor ensino público estadual se formar, fazendo carreira de normalista.
Mas a menina mulher ainda se lembra da primeira tentativa de fuga quando tinha decorrido apenas 7 anos de infância.                                                               -46-








                                                  

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