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domingo, 8 de janeiro de 2012

FEIXE DE VARAS - pg.44


Laudo  Cadavérico:  Metástese medular advinda de um câncer em mama esquerda pesando 98 kilos sem mais se preocupar com todo aquele vitiligo cujas marcas brancas precisava incansavelmente  maquiar.
Certidão de óbito da irmã da menina: Deixa bens. “Não deixa filhos”.
Nunca pode ter filhos, o noivo era estéril. Adotou o único sobrinho.

Depois de tantas amarguras, o rio da vida continuou seu curso, ficando na seqüência familiar do pai da menina, o irmão Tizó que passaria agora ser o mais velho que o caçula Arfi e esse caçula, onde a turma do miolo só serviu mesmo de recheio em todo esse bolo alimentar de misérias mentais.

E enquanto essa nona cuidava das hortas caseiras a outra avó degolava galináceos criados nos fundos daquele quintal para as domingueiras, marcando eternamente a mãe da menina que designada a limpar o que sobrava para cozinhar, com aquele odor queimado pelas ventas, quando se livrou desse pesadelo, só comia galinhas quando prontas já expostas estavam disponíveis em qualquer padaria para comprar.

E esse mais velho que era uma cabeça no ninho das outras serpentes, desfrutou 12 anos de rendas que havia roubado da parte somente da família do irmão Iraldo em comparseria com o mais espúlio dos advogados dessa cidade “Dr.Chaib & Cia.” assessorado de perto pelo filho único Tutu que a tudo endossava, falsificava, transferia e com outra assessoria em família da outra prima Mirtes que já estava em exercício de advogada especializada em direitos trabalhistas, pois mesmo tendo todos esses herdeiros que registrarem as propriedades e as 12 cadernetas de poupança que eram mantidas pelo fiel depositário advindas de agiotagem por empréstimos financeiros durante a administração do patrimônio monetário na composição do inventário, o que puderam roubar, roubaram até os ossos.

Esse Tizó ainda abocanhou mais aposentadoria na função de serralheiro com sede própria nas costas de toda a família onde nunca pagou aluguel para os legítimos herdeiros, pensão, pois já tinha registrado a esposa como doméstica em INPS e viuvez plena habitando em apartamento próprio com empregada....

....até o dia em que esse único filho varão que se casou com uma filha rica herdeira de doutores consagrados na região, continuando na função de procriador, gerou mais 3 netos e decidiram que esse idoso de 92 anos, já não mais precisava de tanta mordomia e venderam esse imóvel, internaram o neurótico em um sanatório, que lá, abandonado e sozinho, contaram os mais informados, que ele veio a falecer implorando ao único filho comparsa de ladrões, sentado em uma cadeira de pau com as chaves dessa casa nas mãos, querendo ter o direito de morrer naquele pedaço de chão...
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.43


Elementar meu caro Watson....desaparecer, eliminar provas, vestígios, porque daquele dia em diante, nada mais seria como antes.

Quando avisaram a menina e ela veio condolenciar o pai, a cena até os dias atuais não sai da sua memória mental, quando assim que chegou deparou a profunda tristeza do velho sentado em uma cadeira de balanço em frente da televisão desligada, com os óculos em uma das mãos, tendo a outra apoiando a cabeça com os olhos marejados de lamentação.
Daquele momento em diante a primeira doença se instalaria.
E a única frase que ele repetia:
“Meu Deus, o que será da mamãe daqui pra frente...esse meu irmão era a vida dela...” De mamãe que todos os filhos a trataram até o final do seu tempo, que durou mais 7 anos depois da perda do enclausurado filho onde ela acabou se enterrando aos 105 anos vítima de um aneurisma abdominal num dia 28 de Maio de 1995, na mesma Beneficência Portuguesa, onde o nono Adão tinha título patrimonial. Ele não precisaria assim pensar, porque a vida dela continuaria normal, apenas daquele momento em diante, trocaria o zelador do patrimônio, que automaticamente foi substituído pelo caçula arfi que agora já tinha mais a ajudante lídia, fornecendo a alimentação, higiene pessoal, assistência médico hospitlar, enquanto a anciã passava os dias inteiros em uma cadeira que ficava no abrigo dando milho aos pombos na calçada da rua e as noites dormia sozinha muito bem com todos os seus diabinhos.
Certidão de óbito: Deixa 1 casa, 1 chácara que estavam com muitos usos e poucos frutos, 2 filhos, 4 noras, 6 netos, 8 bisnetos.

Mas não antes de no ano anterior ter enterrado o filho Iraldo no dia 15 de Maio de 1994, com desdobramentos de doenças degenerativas tendo por gatilho inicial um fecaloma (doença que acumula fezes na excreção terminal e se um outro humano não fizer a limpeza manual usando luvas nas mãos e retirando o bolo fecal diariamente que vai obstruindo o canal anal, é que entendemos porque ninguém contesta mais que o chefe do corpo não é mesmo a cabeça), seguindo com marca passo, somando um Mal de Parkson, depois a instalação da diabetes que finalmente o derrubou vítima da infecção generalizada com amputação de perna esquerda devido a proliferação da erisipela e o coração todas as atividades de ajuda vitalícia encerrou. Missões cumpridas.
Certidão de óbito: Deixa bens, uma filha, um neto e uma abonada pensionista.

E esse amoroso filho foi respeitando e amando todos os membros das 4 famílias emaranhadas até o seu fim, que também já tinha enterrado a amada filha irmã da menina que morreu no auge da melhor idade aos 47 anos em plena terça-feira gorda de carnaval num dia 06 de fevereiro de 1989, dois anos depois do principal.
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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.42


Foi mantendo a horta de verduras e legumes e muita fruta tendo até bananeiras, caquis, laranjas de todos os tipos, mamoeiros, limoeiros, mangueiras, jabuticabeiras e tentou criar tilápias em tanques, mas desistiu por estar sendo roubado pelos vizinhos de cima, nos períodos em que não podia a vigilância intensificar, conservou a construção primária que serviu de moradia para um caseiro com família registrado e um barracão enorme com todos os tipos de máquinas e todo o tipo de ferramentas, tornos, serras elétricas, esmeril, que disponibilizava em manutenção permanente para a irmandade junto com outros parentes que já iam dilatando aquela família raiz, cunhadas, sobrinhos que já iam se ramificando e tudo realizou sem a ajuda de nenhum irmão.

E todo fim de semana os freqüentadores assíduos Arfi, Tizó e Durico, retornavam pra suas casas com os porta malas abarrotados. 
O veia, com seu corcel ou camionete, não poupava nenhum tipo de esforço, para que a mamãe da distribuição se encarregasse, onde de vez em quando escolhendo as piores colheitas, doavam para aquela família orgulhosa, que também vez em quando em comemorações se encontravam.
Quem mesmo se fartava sem nunca ter posto o pé naquela estradinha de terra com cascalhos pedriscada, eram os vizinhos ricos ou amigos mais interessantes mas teve um único agregado de nome Natal, casado com a prima Mirtes que é filha do falecido tio Durico, que residindo na casa herdada pelo sogro na baixada bugrina fazendo divisas com as redondezas da montanha das Paineiras do tio Irardo, entregava naquela porta, em serviço social, folhas de caquizeiros que era o único pedido da esposa dedicada, para que o chá de diabetes continuasse enganando o veinho onde sempre alegava que nunca mais era  tempo de  nenhum tipo de fruto.

Já corria a década de 80, e a nona permanecia firme e forte enterrando outro filho Durico, até que num dia de novembro de 1987, esse sorterão bateu as bota, vítima de enfarto por estado depressivo de consciência pra lá de pesada e de madrugada.
Morte súbita, o choque completamente fora de todos os planos e dentro da outra casa onde com a nona morava, vizinho do irmão Arfi, que já havia cerrado as portas da oficina, não antes de ter reformado naquele terreno, uma casa que em ruínas abrigava a única inquilina costureira Deolinda que a menina se lembrava.

A menina mulher nesse tempo residia temporariamente em São Paulo e quem levou o pai para atestar o fato, foi a irmã Terezinha que lá chegando só deu pra ver a movimentação de papéis, pastas, arquivos, cheques que o caçula Arfi junto com o Tizó, daquele escritório doméstico numa escrivaninha antiga, foram amontoando e passando por cima do muro, enquanto a Nona em prantos se estrebuchava ao lado do corpo do filho amado.
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sábado, 19 de novembro de 2011

FEIXE DE VARAS - pg.41


A vigilância constante fazia a fiscalização com cerco acirrado da parte da cunhada herdeira interesseira e assim se comportou durante sua vida inteira, tendo o prazer e a alegria de se livrar de 2 cunhadas que embarcaram primeiro na dianteira, não conseguindo a euforia completa pois deixou viva a outra cunhada do caçula, que era o principal desafeto.
A menina com o pai, nessas casas também ia, mas apenas ia.

Vizinhos ricos de tradição no esquinão da frente de família italiana Franceschinni, mas era na casa mais acima da Rua Antonio Cesarino que a nona toda sexta-feira ia se divertir jogando baralho “Bisca” no mesmo prazer e gosto por esse passatempo. Divertimento.
E para não ficar ouvindo o choro do filho irardo que recramava que o ouvido tava doendo, aplicava o corretivo, carregando a criança puxada pela orêia, subia  uma escadinha que ficava dentro da saleta da máquina das costuras, no escuro fechava a portinha, descia novamente pra que lá ele ficasse até parar de reclamar, e ia jogar barainho.

Para a família da nona, os festejos natalinos, aniversários eram restritos a outras famílias, mas todo Natal, o Zildo encostava na porta de qualquer uma das casas no dia da ceia de natais em que o Iraldo estivesse morando com a família e a nona ficava naquela casa sozinha, pois assim ela também queria e ninguém levava presentes pois ela também não queria...portanto também nada gastaria. Avareza.


Cansado de tanto dar o sangue por aquele clube, cujo desdobramento depois dos melhoramentos automaticamente a expansão atrairia com muitos elementos estrangeiros que agora contribuíam com a sociedade particular que acompanhava o desenvolvimento, foi lentamente se desligando da diretoria e comprou uma chácara “Nossa Senhora Aparecida”, no distrito de Tanquinho, cuja entrada passava pelo acesso de entrada para Jaguariúna, beirada pelo mesmo Rio Atibaia., sendo que nessas declarações de momento não seria possível registrar os alqueires nem aproximadamente, pois somente  após consulta das escrituras oficiais essa medida estaria nessa literatura de testemunho, exatamente transcrita.


Ali guardou seu barco a motor, que já não precisava mais de remos, onde existia uma construção muito modesta sem nenhum tipo de melhoramento e transformou aquela chácara em um clube particular na tentativa inútil e desgastante de a todo custo juntar aquela família de desgarrados ingratos, que não se deixavam iludir chamando de hipocrisia, pois todos sabiam como é que tudo aquilo se repartia. No íntimo de todos esses concorrentes, o sangue fervia e o desejo de vingança na caldeira do diabo ardia.

Construiu uma piscina imensa com vestiários completos, uma outra casa com 4 quartos confortáveis onde na sua suíte uma sauna com todos dividia. Conservou um forno a lenha, mas que nem o caseiro nunca usaria. 

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

FEIXE DE VARAS - PG.40


O primeiro corte sobrou para a cunhada honesta e boazinha Dirce que ficava de gerente, vendedora e assistente numa lojinha de aviamentos, muito pertinente aos ofícios lucrativos daquele tempo, que o nono mantinha em alugado na movimentada rua central Barão de Jaguara em frente a Galeria Trabulsi e se firmou um bom tempo com um sócio de Kombi e tudo numa empresa de utilidade doméstica com o nome fantasia de “PintaLar”.

Infiltrado no meio dos regateiros já tradicionais, foi aproveitando dos influentes Romeu Nucci dono da “Meia Elegante”, a família Righetto, jornalista e cronista social do “Diário do Povo” e amigo íntimo “Orlindo Marçal” (que era admirador da Terezinha) e prosperou em benefício próprio, onde com diploma de contador da “Academia São Luiz” a mesma em que o pai da menina em 1931 se diplomou, passou a controlar todos os bens da família.


Nada mais conveniente....afinal, os outros 4 irmãos estavam todos casados, cada um em seus casulos entocados, e mensalmente pingava dinheirinho pra todos os independentes.
O tempo seguia em frente. Entre medalhas, troféus, prêmios por ser atleta em Tênis, Remo, Natação, Futebol, Basquete, Festas, Bailes, Comemorações, foi se conceituando entre os colunáveis daquela sociedade.

EDUCAÇÃO RUDE, TÔSCA SEM NENHUMA MANIFESTAÇÃO DE QUALQUER TIPO DE AFAGO, CARINHO, PRA NÃO DAR LIBERDADE E MUITO MENOS CRIAR INTIMIDADE.

Nunca tiveram empregada nem faxineira doméstica. A nona fazia tudo sozinha, e ia desde o escovão, passando pelo capeleti caseiro até a horta com legumes e verduras, onde as frutas era o tio que trazia da feira do Cambuí, onde os 4 irmãos também sacolavam.
Diariamente o Durico colchoeiro, de bicicleta, subia da baixada do campo do Guarani da Rua Barão de Paranapanema pelas ruas alternativas e batia o ponto naquela casinha da Rua Conceição 545, 547, 549 e 551 onde do lado esquerdo, 2 inquilinos contribuíam com 1 residencial outro comercial de barbearia, com outro inquilino residencial de frente no número 524.
O tio Zildo pagava estacionamento na Rua Padre Vieira pois a casa seguia o padrão de antigamente não possuindo esse tipo de construção confortável.

Mãs...com aquela família, a mãe da menina não se misturava e raríssimas vezes visitou até o fim de seu tempo. Só ia mesmo, quando a curiosidade precisava de próprios olhos para seguir em frente. O controle de qualidade.
Conferência, vistoria e todo o tipo de velhacaria.
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