Naquele
tempo as visitas nas casas dos tios eram feitas em ônibus com o pai, a mãe, a
menina e as sacolas. A irmã mais velha, ficava em casa.
A ACUIDADE VISUAL, PERCEPÇÃO,
SENSIBILIDADE, ATENÇÃO, ESCOLARIDADE MÍNINA – BASES PARA UMA PRECÁRIA AÇÃO COM
IDADE INFERIOR A 7 ANOS NA ÉPOCA – TRAUMAS – CONSEQUÊNCIAS EM DUAS VERTENTES DE ACORDO COM O CÉREBRO HUMANO..
Cansada
de tanta surra levar, a menina decidiu que naquela casa não queria mais ficar.
Sem nada planejar antecipadamente, resolve num dia de repente e levando aquela
boneca de louça embaixo do braço, seguiu simplesmente a mesma diretriz que os
pais seguiam, quando para a casa do Tio Binho se dirigiam. Munida apenas de um
endereço na Rua Abolição que naquele tempo tinha 2 mãos e ainda é linha de
coletivo municipal, onde morava uma coleguinha do pré primário, não encontrou
nenhum obstáculo para se evadir daquela senzala, e se lembra perfeitamente
quando nem passagem precisava pagar, porque também em companhia dos pais, por
baixo da roleta do cobrador era só passar.
Cada
vez que iam para a casa do Tio Binho no bairro Swift, a parada do ônibus era no
mesmo pontilhão em que até hoje passamos de carro, mas naquele tempo
atravessávamos a linha férrea em descida de barranco, e mais uma ruazinha lá
estava a casa do tio Binho.
Quando
a menina bateu naquela porta só com a roupinha no corpo e a boneca debaixo do
braço, a mãe da coleguinha na hora telefonou para os pais sem que ela ouvisse.
Não demorou nem uma hora e novamente tive que encarar 2
responsáveis...inacreditavelmente devem ter levado um pito de correção daquela
outra educadora doméstica, mas voltamos novamente os 3 e acho que não deve ter
havido pancadaria pelo episódio que só foi se repetir quando a menina já era
mocinha e tinha 17 anos, sendo que dessa segunda vez, a feitora foi avisada com
uma certa antecedência que a mocinha foi tentar se sustentar sozinha, indo parar
num pensionato familiar só para mulheres na Rua Sacramento, respeitado pela
moralidade com que todas as outras jovens estrangeiras se instalavam por frequentarem a única
Universidade PUC que havia naquele tempo nessa cidade independente.
Seriam
os duros castigos justificados?
O
que se tornaria fixo na mente de um delinquente?
O
bom nasce bom tal qual o mal nasce mal e todos vão se aperfeiçoando igualmente
para melhor em tudo quanto forem adquirindo.
O
bom transforma a maldade, mas o mal aperfeiçoa para a perversidade aprimorando
os instintos de crueldade na perseguição constante de vingativos sem justas
causas. Imperdoáveis.Injustificáveis. Diabólicos.
Estratégias,
golpes, vigarices e todo o tipo de crendices, não importando nenhum grau de
instrução, agravando mais ainda quando de formações superiores.
Crimes do
colarinho branco.
-47-



